quinta-feira, 14 de abril de 2016

ANÁLISE QD: HOMEM ANIMAL DO GRANT MORRISON

"Homem Animal foi um marco na evolução corrente das narrativas gráficas e me considero uma pessoa de sorte, não, direi privilegiada, não, direi abençoada por ter conhecido Grant Morrison nesse momento crucial de sua ilustríssima carreira" E esse é o início da introdução de Homem Animal do Grant Morrison, escrita pelo Grant Morrison.
Quem está familiarizado com o autor, sabe que ele não é dos mais convencionais e quem conhece o ExtraExtra sabe que no fundo temos uma freefall por esse careca escocês.


É difícil falar sobre a fase do Morrison em Homem Animal, porque é aqui que vários conceitos de histórias em quadrinhos surgem, conceitos tão propagados hoje em dia que já nos acostumamos e não achamos mais tão inovadores assim. Estamos tentando fazer a analise lembrando o que essa história -publicada em 1988- fez para contribuir com cenário atual dos quadrinhos, mas é certeza que hora ou outra, alguma coisa vai passar despercebida.
Um dos exemplos mais comuns da contribuição de G. (meu amigo) foi a quebra da Quarta Parede nos quadrinhos. A Quarta Parede é uma parede invisível entre a mídia, que no caso podem ser os quadrinhos, filmes, peças teatrais e o publico. Esse conceito surgiu na Idade Média, eles usavam muito a quebra da Quarta Parede quando apresentavam peças à nobreza, vez ou outra jogando criticas e "dicas" à platéia como uma forma mais light de apontar seus descontentamentos. Atualmente o melhor conceito para definir essa quebra é explicando sobre quando um personagem toma consciência de que seus atos e sua própria existência não são reais, ou notam a existência de um observador.
Existem estudiosos que digam que quebrar a quarta parede é uma referencia à deixar de ser uma pessoa alienada. vemos isso em varias mídias e como começou na Idade Média esta longe de ser novidade, porém, por algum motivo ninguém havia pensado em fazer esse tipo de exploração no mundo dos quadrinhos, bom, ninguém até o Morrison. Esse é um dos motivos do qual essa fase dele foi tão importante pra industria das HQs, por isso sempre vamos usar como parâmetro o "Homem Animal do Grant Morrison". Poderia muito bem ser " O evangelho do coiote", que é o nome da história ou " O Homen Animal de da década de 80" mas com a importância de sua produção, nada mais justo que lembrarmos o nome desse cara.


Todos sabem que Buddy Baker é um personagem tão impar quanto o autor, e para aqueles que não sabem, aqui vai um rápido resumo: Na época, Buddy recebeu seus poderes devido a um experimento não voluntario  feito com ele por seres Extra Terrestres (sim, ele tecnicamente foi o primeiro Inumano). Sua origem ocorreu em 1964, na edição #180 da revista Strange Adventures, o nome da historia foi " I Was The Man With Animal Powers" que significa "Eu Sou o Homem Com Poderes de Animais". Sem contar que ele é o único personagem da editora que se encaixa na família tradicional. Ele, o marido. A esposa e seus dois filhos Cliff e Maxine. Um herói com poderes medíocres , ex ator, desempregado e lutando a eterna batalha pelos direitos dos animais.
O que deveria ser uma minissérie de quatro edições logo virou um run (período tecnicamente longo  longo composto de arcos diferentes e contínuos do mesmo autor) inteiro com 26 edições. Grant queria com isso reformular o  personagem de forma sutil, aos poucos. Ao longo do arco notaríamos mudanças graduais em Buddy. A historia é completamente diferente do que via-se na época, enquanto os quadrinhos tentavam retratar de forma realista e violenta o que significava ser um super herói/vigilante, Homem Animal focava em uma luta há muito tempo já conhecida mas que tinha pouca força na sociedade: os direitos dos animais. Animais que eram usados das formas mais abusivas, às claras, para todos verem e ninguém ligava.
Outro fato importante a se comentar é que logo na 1° edição de encadernados, entre as revistas n° 6 e n° 8 a DC estava passando por uma mega saga chamada "Invasão", onde um grupo de alienígenas decidem sem motivo aparente atacar a Terra. Devido a ter adquirido seus poderes após contatos com extra terrestres, Buddy ficou desorientado por um certo tempo durante essa saga.
A HQ em si faz uma critica sobre como a sociedade usa animais sem pudor algum em nome da clamada "ciência" mesmo que seja pra objetivos supérfluos como teste com maquiagens, industrias de cosméticos, produtos de higienização e beleza; até hoje nós humanos usamos pobres animais pra testar produtos completamente inúteis no cotidiano, pra valores apenas estéticos desequilibramos a vida e o psicológico de um ser que nem se quer tem noção de o porque ter sido escolhido para essas atrocidades. Exageradas e desnecessárias na maioria das vezes.


terça-feira, 12 de abril de 2016

ANÁLISE QD: LIGA DA JUSTIÇA VS JOVENS TITÃS


O filme começa com uma luta entre a Liga da Justiça e a Legião do Mal, onde cada membro tem um breve combate com seu antagonista, menos Ciborgue. Ele luta com o Homem Brinquedo que na verdade fez sua primeira aparição na Action Comics de 1943. Nosso colega do ExtraExtra esboçou uma teoria interessante sobre esse vilão fazer mais sentido sendo arqui inimigo do Ciborgue ao invés de Superman. O argumento dele foi que o Homem Brinquedo poderia compreender Victor como um brinquedo humano, já que seu interior é composto em sua maior parte por tecnologia e engrenagens robóticas, ele então, seria o antagonista perfeito para encarar o herói. Muito bem pensado DC.


Depois da luta de sempre e os Heróis derrotarem os Vilões, um dos bad guys é possuído por uma entidade sobrenatural. A Liga não faz a minima ideia de com o quê esta lidando, e nem as proporções que isso pode tomar, muito menos como se prevenir contra esse tipo de situação. E obviamente acaba ficando vulnerável ao ataque.


Enquanto isso desobedecendo todas as ordens e a ética super heróica vemos o garoto prodígio, nesse caso Damian lidar com os caras malvados do jeito que acha melhor. Sabemos que sua metologia para combater o crime sempre foi motivo de conflito entre ele e seu pai/mentor Batman. Quem acompanha a historia sabe que Bruce dificilmente consegue conter o menino e quem sempre tem que vir acalma-los (sim, ambos) é o queridinho do ExtrEextra Dick Grayson.

Embora as animações não mostrem isso exatamente bem, Grayson foi fundamental para a adaptação de Damian na Bat-Família (estou citando isso porque a maioria dos filmes dessa nova fase de animação da DC foca na entrada desse novo Robin). Ele foi o elo que conseguiu ligar o menino emocionalmente desajustado ao pai que nunca soube lidar  muito bem com pessoas. Claro que quando temos que resumir um grande período de edições em curtos filmes muita coisa tecnicamente fundamental é cortada, mas isso não diminui a saga que foi para Dick conseguir adestrar a ferinha .


É interessante ver que o trabalho dos roteiristas fazendo Dick aconselhar Bruce a deixar que Damian siga seu próprio caminho com sua própria equipe, assim como ele fez uma vez quando decidiu criam os Teen Titans (When there's trouble you know who too call, TEEN TITANS. From The Tower they can see it all, TEEN TITANS.). Que isso só o fez adquirir responsabilidade,fez ele aprender a trabalhar em equipe, crescer e que seria muito bom para Damian ter esse tipo de experiencia. Sempre vemos um grande carinho entre os três, principalmente pela parte de Dick e Damian que realmente agem como irmãos dentro da Bat-família, eles são de longe os dois com elo mais próximo ali
.
Vemos um grupo de tiãs composto por Mutano, Besouro Azul, Ravena, Robin e Estelar. Estelar é um pouco mais velha que todos os outros integrantes dos Titãs, o que faz completo sentido pois ela possui uma idade mais próxima de Asa Noturna e no novo Universo Animado DC já deixaram claro com toques sutis que eles já tiveram/tem alguma coisa. Então Dick deixa Damian sob supervisão de Koriander.


Quem acompanha/já acompanhou qualquer animação com os Titãs está a par da vida de Ravena, então não foi surpresa nenhuma descobrir quem é o vilão e porque só os Jovens Titãs conseguiriam pará-lo. Além disso vemos que para substituir Ciborgue, ex integrante do grupo que agora se juntou à Liga da Justiça, eles decidiram adotar o (terceiro) Besouro Azul: Jaime Reyes. Devido a seu escaravelho alienígena ainda ser tecnológico, percebemos que foi uma forma de não desfalcar a parte tática da equipe. E para complementar essa participação, o fizeram ter um grande entrosamento com Mutano.

A Liga da Justiça é sim uma formação muito equilibrada, porém o homem mais forte do mundo, Superman é completamente vulnerável à magia e o ser sobrenatural tem poder de possuir quem quiser.

O filme em si não se trata de uma luta entre grupos, ele foca em um arco com um super vilão e em contar a origem da personagem Ravena. Origem essa que foi muito bem adaptada e não deixou nada a desejar. 
Durante o filme vemos um certo nível de piadas e referencias ao DCU, além de referências a personagens da Warner e uma clássica transformação de roupas comuns para trajes de super heróis muito visto na cultura japonesa. Titãs são um grupo jovem e cabe muito bem a eles esse teor de humor, porém o filme não é todo em uma pegada leve. Não, com certeza não. 
Quem conhece a origem da Ravena sabe quão pesada é. E eles não medem palavras como "demônio", "seita satanista" ou insinuações claras de sexo.
Ainda assim o filme é muito divertido e coeso. Nós do ExtraExtra temos muito apreço por grupos jovens e com certeza Liga da Justiça x Jovens Titãs não só correspondeu às nossas expectativas, como também as ultrapassou.
Depois do reboot a DC mudou o studio que produzia seus desenhos, assim como o traço e roteiristas, dessa forma, tirando a primeira animação que se encontrava exatamente no meio termo entre pré e pós reboot (Flashpoint), as demais deixaram muito a desejar, Liga da Justica War, Throne of Atlantis e Batman vs Robin; porém em Batman: Bad Blood eles recuperaram sua "inspiração" e no filme posterior a ele imediatamente nos entregaram uma coisa fantástica.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

ENTREVISTA COM GRANT MORRISON SOBRE TERRA UM DA MULHER MARAVILHA

O escritor de renome, Grant Morrison (acho que você já nos ouviu falar sobre ele alguma serie de vezes) e o desenhista Yanick Paquette decidiram reinventar a Mulher Maravilha para os novos leitores com o novo título na série Terra Um. Morrison revelou que haverá mais de um volume (assim como Batman e Superman). A história falará da vida da Princesa Amazona, mas aqui ela não deixa a Ilha Paraíso para ir à Guerra ou pelo seu amor a Steve Trevor como de costume em suas HQs de origem, porém ainda usará desses dois fatos para compor a origem de Diana.


Morrison deu uma entrevista ao CBR News falando sobre esse projeto. Ele está previsto para ser lançado no dia 06 de abril. Como escritor, Morrison está muito inteirado do Universo DC já que um de seus maiores projetos foi a saga Multiversidade, onde o autor passou sete anos pesquisando a cronologia da editora para catalogar cada Terra que a DC Comics possui. Morrison já trabalhou em grandes sagas do Homem de Aço e Cavaleiro das Trevas e agora é sua vez de focar na Embaixadora da Paz.

Ele revelou que esse encadernado falará muito sobre os temas verdade e mentira, o que faz muito sentido se pararmos para pensar que a arma principal da heroína é o "Laço da Verdade".


CBR: William Moulton Marston era um homem bastante notável, mas não se vê falar tanto no nome dele quanto no de Jerry Jiegel e Joe Shuester ou Bill Finger e Bob Kane. Quão importante é para a nova história da Mulher Maravilha o seu criador?

Grant Morrison: Eu acho que Marston deveria sim ser mais mencionado, ele criou um componente da Trindade e é tão importante quanto os outros criadores, ele realmente deveria fazer parte desse panteão de grandes criadores de quadrinhos. Acho interessante que enquanto Siegel e Shuster estavam trazendo a influência da imigração durante a Grande Depressão e Finger e Kane estavam trazendo a riqueza, investigação e um fio de sombriedade para os quadrinhos, Marston procurou uma cultura totalmente alternativa.
Superman é rico em ficção científica, Batman se tratava de crimes e mistérios, mas a Mulher Maravilha vinha de raízes do feminismo. Falava de magia e estilos de vida alternativos com ideais alternativos em que a vida de Marston se refletia, era isso que eleu. era. A Mulher Maravilha acompanhou o crescimento da mulher a partir das décadas, vimos sua versão escoteira, vimos sua versão guerreira, ela traduz toda a luta das mulheres na sociedade e o comportamento delas em cada momento seu.

CBR: Falando sobre a história dela, sabemos que uma nova origem muda muitos fatos antes já estabelecidos, mas também existem aqueles inegociáveis. Quais deles irão permanecer e quais iram ser diluídos na história?

GM: O que me interessou foi conflito que pode existir entre os interesses de Diana e sua mãe Hipólita, sobre ela querer ir para o "mundo dos homens". É completamente válido que Hipólita ao invés de concordar com as razões de Diana, decida a questionar. Na origem original, Diana sai da Ilha Paraíso para combater ameaças na Segunda Guerra Mundial, acho que esse objetivo não se aplica mais nos dias de hoje, pois mesmo que saibamos o efeito que isso teve na historia do mundo, não temos noção nenhuma da grandiosidade que realmente foi. Precisava de um motivo tão forte quanto esse para transparecer para os dias de hoje ou escolher outra abordagem.
O que vamos ver é uma jovem princesa que está presa em um mundo que mesmo que pareça ou seja perfeito, ela não quer viver mais. Especialmente quando você lembra do fato de que as Amazonas são imortais, eu não disse que elas não envelhecem, mas são imortais.
Imagino o seu mundo sendo cheio de rituais formais, porque essas mulheres passaram longos períodos adquirindo conhecimento. Muitas dessas guerreiras já viram coisas inimagináveis e Diana também quer ter suas próprias experiências. Esse foi o aspecto que eu escolhi abordar. Fazer uma coisa mais dramática. 
O que eu queria mostrar com essa nova versão é a relação entre Diana e Hipólita, duas mulheres muito fortes se antagonizando por assim dizer, realmente quero abordar isso na historia. Muitas das mulheres que eu conheço tiveram relações parecidas com suas mães, acho interessante fazer esse lado da trama diferente do original, onde elas são completamente solidárias uma com a outra.
O mesmo vai acontecer com Steve Trevor, não quero que Diana se apaixone instantaneamente por ele, parece muito mecânico. Gostaria de ver o romance entre eles ir se desenvolvendo aos poucos, e que isso se torne cada vez mais, mais um motivo para Diana querer sair da ilha.
Mudei também a origem, o ponto inicial de onde ela vem. Agora Diana não é mais nascida do barro. Isso e mais algumas outras coisas.

CBR: Quando Diana chega ao "mundo dos homens" ela fica impressionada com a diferença de culturas, com como os homens são muito mais interessados em provar sua força, em coisas que se pode medir e pesar, coisas materiais. O que impressionaria uma amazona? O que causaria nelas esse efeito de surpresa e excitação?

GM: O que importa para as Amazonas são suas conquistas. Tentei buscar isso do mito inicial. Não é que as Amazonas odeiem os homens, é que elas vêem a busca por esse tipo de poder cunhado em dinheiro como um objetivo banal. Não quero que pensem em Diana apenas como uma Amazona mais forte que um homem, elas são guerreiras com noções de moral que simplesmente as deixam melhores que qualquer um da história. Os soldados não tem chance contra ela, contra o modo de pensar e agir das amazonas. Não só a aptidão física, mas também sua ciência, sua filosofia, sua poesia... Aqui elas terão um ar pseudo elizabetano, muito rico em questões culturais e quase psicodélico.
Também vamos ver personagens clássicas da cronologia da mulher maravilha, como Etta, Candy, Beth... Farei vários diálogos delas divagando sobre como é a vida na Ilha Paraíso




quarta-feira, 30 de março de 2016

JUNHO: DESTAQUES DA IMAGE

A Image Comics é uma das editoras mais promissoras da atualidade, desde o lançamento de The Walking Dead, ela vem crescendo no mercado e ampliando seus títulos. Na lista de publicações para JUNHO haviam cinco HQs muito promissoras, as quais vamos discorrer sobre agora:


Jupter Legacy 2



Jupter Legacy tem sido o carro chefe da Image, em junho a HQ terá seu segundo volume publicado. Com o roteiro de Mark Millar (Kick Ass e O Procurado) e o traço de Frank Quitely (All Star Superman e We3), Jupter Legacy teve sua primeira edição publicada em 2013 e conta a história de como um grupo de super heróis chamado Union que decidiram usar seus poderes para aprimorar a humanidade, e aperfeiçoar seus filhos para que assim quando se aposentarem houvesse quem cuidar do mundo em seu lugar. A trama aborda temas socio-politiocos, economicos e o fim do capitalismo

Midnight of the Soul



Com um dos desenhistas mais polêmicos da atualidade, MOTS vem no traço de Howard Chaykin com a historia também de Chaykin, Midnight of the Soul conta a história de Joel Blackstone, se passa em 1950 onde ele, um veterano da segunda guerra tira sua renda de saques e ataques nas estradas americanas.


GrizzlyShark vs Seabear



Em junho, a Image completa a minissérie de três partes de GrizzlyShark vs SeaBear, onde acontecerá a luta final entre eles. Ryan Ottleye e Ivan Plascencia trazem aos quadrinhos um gênero muito comum e famoso em filmes, o estilo trash. Não é a toa que Sharknado tem tantas continuações, realmente há público para essa demanda.


I Hate Fairyland



Na trama vemos como personagem principal uma garotinha de deis anos chamada Gert. Gert ficou presa no mundo das fadas (Fairyland) pelos últimos trinta anos e seu maior objetivo é fugir dessa terra. Já cansada do povo que lá habita, ela decide pegar seu machado e matar quem estiver em seu caminho. I Hate Fairyland é uma história autoral de um desenhista americano, com seu primeiro roteiro Skottie Yong está envolvido como autor e desenhista desse projeto.


Adventures in the Rifle Brigade


Do roteirista de Preacher, Adventures in the Rifle Brigade nos trás a história de de uma tropa britânica nada convencional durante a segunda guerra mudial, já conhecemos o trabalho do Garth  Ennis, então podemos imaginar que tipo de loucuras virão por trás dessa história

terça-feira, 22 de março de 2016

Análise QD: Hawkeye - Minha Vida Como uma Arma.

Hoje na Análise QD resolvemos falar sobre um arco que foi muito comentado no último ano. Quem acompanha formatinho ou lê a versão americana já deve estar familiarizado com ele há algum tempo, mas a Panini disponibilizou o compilado de capa dura este mês para seus leitores então vamos falar sobre ele.

 Gavião Arqueio: Minha Vida Como uma Arma.

Basicamente o encadernado nos conta como é a vida de um dos Vingadores quando ele não está trabalhando para a equipe. Ok, e não é disso que se tratam muitas histórias em quadrinho? O que faz dessa de tão especial?
Nada. Ela não é especial. Ele não é especial, de todos os super heróis que existem ele é o menos especial e essa simplicidade que nos faz cair por  essa história e achar que ela mereceu os prêmios que ganhou. Isso e o cachorro. É claro.
Clint (Clint Barton vulgo Gavião Arqueiro) começa a nos explicar com e difícil ser um humano comum entre seus colegas Deuses, regidos por magia,  mutantes, com super poderes, armaduras ou dinheiro. Mostra como um cara normal com uma habilidade especial relativamente simples precisa se desdobrar pra sobreviver na Nova York em Agosto.
Quando ouvi a premissa dessa história só consegui pensar "essa seria a história perfeita pra reergue o Homem Aranha". Porque não sei se vocês sabem mas já faz um tempinho que o Aranha está com umas histórias um tanto medíocres demais.  Parece que a editora não sabe o que fazer com o Peter, que ele é o tipo herói estagnado por que ninguém consegue fazer ele crescer bem então sempre têm que ficar voltando ao adolescente para que o público sinta a proximidade com ele,  mas estou apenas divagando isso e conversa pra outra hora.
O fato é, o Homem Aranha ganhou sua fama sendo o Amigão da Vizinhança,  o gente como a gente. E é exatamente isso que Hawkeye nos trás . Mostrar como é difícil ser um super herói,  como a vida fora do grupo perfeito pode ser uma porcaria e outros dramas existenciais. 

Há muito tempo não víamos uma história tão densa e sentimental na Marvel por isso ela chamou a atenção de todos .
Com o roteiro de Matt Fraction e as artes de David Aja e Javier Pulido "Minha vida como uma arma" nos conta uma simples semana (?) na vida de Clint e sua parceira Kate Bishop, mostra um pouco de como funciona a cabeça dele e o que ele realmente pensa sobre tudo a seu redor. Não sou uma conhecedora nata de Gavião Arqueiro, mas depois dessa história eu com certeza me interessei por ele. Além da história principal, aqui descobrimos (quem ainda não sabia, eu) um pouco do passado de Clint e Kate. Clint é um órfão que acaba indo morar com o circo, ali ele aprende a arremessar facas, flechas e mais qualquer coisa pontuda que possa chamar atenção do publico, e mais importante, ali ele aprende a entrar no mundo do crime. Não é segredo que os americanos tem um certo preconceito com grupos nômades, olhem os ciganos ai por exemplo; e isso não foi muito diferente no circo, sempre vendo aquelas pessoas como excêntricos. Enfim, no circo, Clint aprendeu muito mais do que suas habilidades heroicas, inclusive aprender varias não heroicas também. Nos é apresentado a visão dele sobre Kate Bishop, ele diz que ela assumiu um tempo o manto de Gavião quando ele esteve por aí "ocupado se vestindo de ninja". Fala sobre como ela parece uma criança de nove anos e mimada até o ultimo fio de cabelo e ainda assim consegue ser a arqueira mais talentosa que ele conhece e sobre como isso a torna maravilhosa. (Sim a imagem está torta, sim foi a única que eu consegui e sim, eu procurei outras)

O teor sentimental dessa HQ esta em cada fala de Clint, a gente sente aquela sensação de "a vida desse cara esta mais fodida que a minha, vou continuar lendo". Cada edição (nesse encadernado vemos 5) conta um fato da vida de clint, é uma coletanea de pequenos arcos que forma um arco maior.
 A revista foi uma das grandes sensações da Marvel Now, mas eu não consigo parar de me questionar sobre isso, porque mesmo que não existam cenas propriamente ditas de sexo, a malícia e violência são bastante presentes nas edições, você vê o lado cru do ser humano quando pode optar por não machucar alguém mas mesmo assim o faz. Isso me deixou receosa quanto a faixa etária, na minha humilde opinião eu levaria esta aqui para o selo Max. Mas talvez seja isso que acontece quando um exímio fã da DC se depara com uma história da Marvel, só aumenta a lista de diferença entre as editoras, e isso é espetacular. É o que nos mostra que o publico não é necessariamente o mesmo entre Lanterna Verde e Hawkeye embora possa ser, não estou dizendo que é impossível alguém gostar dos dois. Eu aposto que vocês me entenderam.

A forma como Matt planeja o jeito criativo de começar cada edição nos faz sorrir a medida que cada uma comece. E todas começam da mesma forma "Tá legal... Isso parece ruim" e logo depois uma idéia estúpida que vai te fazer querer sorrir e nunca mais largar essa HQ.
A disposição da página é muito bem composta, e mesmo que o desenhista mude ao longo das edições os traços de ambos podem ser categorizados como parecidos, realmente notamos que não é apenas o roteiro que faz esse arco, muito vem desse traço irregular e não detalhado, isso casa completamente com o nível de descompromisso que o Gavião e Kate tem consigo.  É uma HQ que com certeza terei orgulho de dizer que faz parte da minha coleção.

 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

DC anuncia as revistas de seu Rebirth.

Finalmente tivemos a revelação dos novos títulos do REBIRTH da DC Comics, e até o momento o mais impressionante foi a noticia que todas as suas revistas serão renumeradas para #1, com exceção de Action Comics e Detective Comics, que voltam às numerações originais do pré-Novos 52. 


Confiram os novos títulos do Rebirth abaixo:

Especiais:
AQUAMAN REBIRTH #1
BATMAN REBIRTH #1
THE FLASH REBIRTH #1
GREEN ARROW REBIRTH #1
GREEN LANTERNS REBIRTH #1
SUPERMAN REBIRTH #1
TITANS REBIRTH #1
WONDER WOMAN REBIRTH #1
Estreias (mensais)
AQUAMAN #1
BATMAN #1
THE FLASH #1
GREEN ARROW #1
GREEN LANTERNS #1
SUPERMAN #1
WONDER WOMAN #1
Revistas quinzenais:
ACTION COMICS #957
DETECTIVE COMICS #934
Especiais:
BATGIRL & THE BIRDS OF PREY REBIRTH #1
HAL JORDAN & THE GREEN LANTERN CORPS REBIRTH #1
THE HELLBLAZER REBIRTH #1
JUSTICE LEAGUE REBIRTH #1
NIGHTWING REBIRTH #1
RED HOOD & THE OUTLAWS REBIRTH #1
Quinzenais
HAL JORDAN & THE GREEN LANTERN CORPS #1
JUSTICE LEAGUE #1
NIGHTWING #1
Estreias (mensais)
BATGIRL #1
BATGIRL & THE BIRDS OF PREY #1
THE HELLBLAZER #1
RED HOOD & THE OUTLAWS #1
THE SUPER-MAN #1
TITANS #1
Especiais:
BATMAN BEYOND REBIRTH #1
BLUE BEETLE REBIRTH #1
CYBORG REBIRTH #1
DEATHSTROKE REBIRTH #1
EARTH 2 REBIRTH #1
SUICIDE SQUAD REBIRTH #1
SUPERGIRL REBIRTH #1
TEEN TITANS REBIRTH #1
TRINITY REBIRTH #1
Estreias (quinzenais):
CYBORG #1
DEATHSTROKE #1
HARLEY QUINN #1
JUSTICE LEAGUE AMERICA #1
SUICIDE SQUAD #1
Estreias (mensais):
BATMAN BEYOND #1
BLUE BEETLE #1
EARTH 2 #1
GOTHAM ACADEMY: NEXT SEMESTER #1
SUPERGIRL #1
SUPERWOMAN #1
SUPER SONS #1
TEEN TITANS #1
TRINITY #1

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sneak Peek: Gotham Academy

Gotham Academy ou Academia Gotham é uma história sobre histórias. Nela vemos o desfecho da vida de alguns personagens, com a narrativa imparcial e tediosa de Olive Silverlock sobre eles. O cenário é o colégio melhor conceituado da região, onde apenas os tubarões da sociedade ($$) podem frequentar, bom em tese. Devido a um projeto da Fundação Wayne (claro) alguns alunos humildes puderam adentrar na instituição por meio de bolsas de estudos. É interessante a revista fazer essa menção, pois acabamos por ver um numero maior de projetos em que as Industrias Wayne estão envolvidas. Elas não buscam apenas o aprimoramento da cidade como local de habitação, mas buscam aprimorar também a população de Gotham, fornecendo oportunidades que muitas vezes algumas pessoas não teriam sem a sua ajuda.
Vemos aqui a preocupação de Bruce com o bem estar social e intelectual dos habitantes da sua cidade, o que significa que ele não esta apenas tentando mudar Gotham, mas também está tentado evolui-la para que no futuro seus filhos e netos, e mesmo as pessoas que ninguém nunca ouviu falar possam viver nessa metrópole isentos da insanidade que impera no local desde sua criação.


Aqui, filhos dos maiores benfeitores de Gotham receberam ensinamentos sobre a história da cidade, sobre as famílias fundadoras e todos os outros nomes que estão envolvidos na prosperidade da grande cidade. É uma forma indireta de nos falar sobre vários personagens e origens de suas famílias, sem mencionar o fato de que provavelmente irão haver ensinamentos sobre Gotham que o leitor ainda não teve conhecimento. Além de nos contarem uma história introduzindo personagens em potencial, Gotham Academy também nos apresentará Gotham historicamente, e sabemos que para um fã faminto, todo pedaço de carne é valido.


Vemos em foco principal, a visão da personagem Olive Silverlock (como ja dito antes) sobre o internato. Olive é uma garota comum, que ganhou uma bolsa se estudos para entrar na Academia Gotham. Como todas as adolescentes dessa idade, ela esta passando por uma serie de problemas, principalmente psicológicos de adaptação ao novo mundo. Os personagens que nos são apresentados são certamente o futuro da cidade e já com algumas paginas podemos deduzir que a revista funcionará como oficina de personagens, vendo quais deles serão aceitos pelo publico como futuros heróis ou mesmo vilões. Mas não existem apenas duas opções, podemos ver futuramente políticos, advogados, policiais e todo mais tipo de personagens para enfeitar futuras historias.


A primeira edição não nos revela muita coisa, apenas nos familiarizamos com a narrativa e com o deslocamento da personagem em um lugar onde apenas ricos estão, vemos a implicância tipicamente adolescente e alguns desvios de caráter de alguns alunos da sua turma. Mesmo tento um ar mais infantilizado que as histórias que estamos acostumado a ler, eu não descartaria Gotham Academy de cara, o que fica visível é que a serie terá um tom investigativo focado na amizade e com certeza irá abranger o lado místico de Gotham. E com certeza veremos entre as edições personagens icônicos da Batfamília e do mundo do B-man que tanto amamos.


Outra coisa bastante visível ao longo da edição é a forte presença do Cavaleiro das Trevas como um simbolo, vemos vários pontos de vista sobre o defensor da cidade e como ele pode vir a inspirar ou causar repulsa em diferentes pessoas. Vemos que ele se tornou quase uma especie de lenda urbana na cidade, onde todos citam seu nome para ameaçar ou exaltar algo

O traço foi escolhido com muito cuidado para passar exatamente o tom que a história precisa, uma mescla de suspense e doçura. Vemos o humor da  Maps aflorar cada vez que olhamos a expressão de animação em seu rosto, e se torna nítido a hora preocupação hora culpa que a Olive sente ao longo da história por meio de seu semblante. Gotham Academy parece estar pronta para ser adaptada em uma animação, as feições dos personagens embora não muito detalhadas parecem que ha qualquer hora vão pular do quadrinho e começar a se mexer na nossa frente. O formato do rosto ser um pouco mais triangular nos remete a desenhos feitos em mangás shoujo assim como a falta de curva das personagens. A diagramação da pagina também é feita de forma bastante criativa, as vezes delimitando as situações em quadros e as vezes deixando o cenário e personagens fluírem livremente até o rodapé.
O clima sombrio e misterioso do local nos faz lembrar bastante o primeiro encontro de Harry com Hogwarts, uma escola cheia de regras, com professores que a primeira impressão parecem sinistros mas se revelam muito compreensivos e com varias historias assustadoras, sobre fantasmas, lendas e calabouços.